Páginas

Mostrando postagens com marcador cristianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cristianismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de junho de 2013

Seja feita a Tua vontade, e não a minha

Levados pelos ensinos da teologia de Confissão Positiva, muitos assim chamados Cristãos de hoje esqueceram-se completamente o real significado da oração, e mesmo do uso do nome de Jesus. A maioria destes Cristãos aprendem que eles tem algum poder em suas palavras, e que eles podem criar realidades materiais simplesmente por declarar com suas bocas o que eles desejam. Isso criou nas mentes de muitos a ideia de que nós não mais pedimos, mas declaramos e, pelo poder mágico do nome de Jesus, aquilo que desejamos acontece. Alguns, por outro lado, ainda pedem, clamam e imploram ao Senhor, mas, como os outros, eles também foram seduzidos pela Confissão Positiva e, quando oram pedindo algo ao Senhor, eles enchem a si mesmos de uma certeza de que tal oração será respondida e o que eles pediram em nome de Jesus se tornará realidade. Eles creem que, como Deus é um Deus tremendo e grande, Ele, portanto, fará o milagre acontecer.

O que eles não notam é que muitas vezes Deus não responde às nossas orações bem como não opera o milagre ou o que quer que a Ele tenhamos pedido. Seriam estes crentes honestos com sua teologia e diriam que Deus não é o Todo-Poderoso? Certamente que não. E assim estas pessoas vão vivendo, sempre pedindo e, por muitas vezes, sendo frustradas. Mas, de fato, é verdade que aquele que sabe como orar jamais será frustrado. Ele pode ser contrariado, mas nunca frustrado. Talvez você possa se perguntar o porquê. E eis aqui o motivo: ele jamais será frustrado pois ele pede como Jesus pediu. Pois lemos que Jesus Cristo, sendo Deus, orou assim “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22:42).

Uma pausa faço. A você que lê o que escrevo, algo deve ser dito: este assunto é, de fato, polêmico. Toca na fé íntima de uma infinidade de pessoas sinceras. Salomão, o sábio, porém disse “leais são as feridas feita por um amigo”. Devemos entender que o que está sendo dito aqui, por mais que lhe fira, está sendo dito para seu crescimento, e para o seu bem. Pois alguns desvios são sutis, sim, mas perigosos. E creio que a doutrina da oração deve estar bem clara no coração de todo Cristão sincero. E as consequências desta teologia errada que agora exponho colocam você invariavelmente em uma situação nada agradável com Deus. É um pecado gravíssimo quando o homem torna-se senhor de sua vontade. Ainda que sem intenção, o pecado é pecado. E precisa ser exposto. Toda a vida cristã resume-se a submetermo-nos aos padrões e vontade de Deus. Quando decretamos, declaramos e proferimos palavras de ordem esperando que Deus nos conceda o que queremos apenas por que pedimos em nome de Jesus estamos nos gloriando diante de Deus por algo que não somos e, evidentemente, estamos negando sua grande e maravilhosa graça, sem a qual nada nos é oferecido.

Voltemos, agora, ao ponto central onde paramos. Temos a oração de Jesus Cristo como modelo. O que há, porém, de tão especial em tal oração? E a resposta é que Jesus, surpreendemente, submeteu sua vontade a Deus. Ele humilhou a si mesmo. Como homem que era, nosso Senhor certamente sentiu profundo terror pelo que estava por vir. Ele sabia que ali, na cruz, enfrentaria a ira de Deus Todo-Poderoso pelos pecados de Seu povo contra si mesmo; toda ela. Nem uma gota ficaria de fora. A ira que levaríamos uma eternidade pagando, pois somos criaturas, nosso Criador a suportou como um peso enorme, em um curto espaço de tempo. Jesus, certamente, não o faria se pudesse. Contudo, podemos dizer que a oração dele certamente foi respondida. Mas sua vontade não foi feita. Sua oração foi respondida pois ele humildemente sujeitou-se a vontade do Pai. Confiou infinitamente na Sua sabedoria e bondade. Jesus sabia que, por mais doloroso o que estava por vir fosse, era o propósito de Deus. E Seus propósitos e vontades são bons, invariavelmente, pois a bondade procede dEle, apenas.

Em nossa vida diária enfrentamos diversidade de situações que seriam impossíveis de enumerar num texto como esse. Dificuldades, afrontas, dores, doenças incuráveis, sofrimento, perdas. Sem dúvida, quando tais situações se apresentram diante nós corremos para o Senhor e pedimos que Ele afaste de nós o cálice, aqui, simbolizando o problema que enfrentamos. É necessário que tenhamos em nós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus: submissão. Embora toda dor que possamos sentir, por vezes a cura ou o livramento não vem. Por vezes apraz a Deus nos manter entre espinhos e inimigos ferozes. E o motivo? Bom, vários podem ser, contudo, de uma coisa temos certeza: Seu nome será glorificado. E nisso devemos nos alegrar. E com esta certeza e disposição interior suportaremos o que nos é dado, confiando que isso produzirá peso de glória na eternidade (2 Coríntios 4:17). Oremos sim, sempre, pela cura dos enfermos, por exemplo, sejam eles nós mesmos ou alguém querido. Oremos pela liberdade dos que estão cativos, pela alegria dos que sofrem e pelo consolo dos abatidos. Contudo, saibamos que a vontade de Deus vem primeiro. E a vontade dele nem sempre é a nossa.

Você está pronto para humilhar a si mesmo, negar seus desejos, mesmo que sejam bons e não maus, e apenas mudar suas orações? Estamos prontos para pedir o que desejamos e, ao fim, humildemente dizermos “não a minha vontade, mas a tua seja feita”? Quando assim o fizermos eu asseguro que jamais seremos frustrados, pois a vontade de Deus sempre prevalecerá, mesmo que nós peçamos o oposto.


Certamente, todos nós precisamos mesmo que um pouco o corrigir nossas orações. Mesmo naquilo que estamos certos saber qual é a vontade de Deus. Estamos enfrentando um vício ou um forte pecado que sempre nos açoita em segredo? Estamos tentando lutar contra este pecado e pedindo ao Senhor  que nos livre destes desejos maus? Você já parou para pensar que Ele pode não nos libertar? Deus pode fazer um filho permanecer em água morna ao invés de lhe dar segurança ou liberdade de tais pecados por completo. Embora eu pense que não é este o caso para a maioria dos Cristãos, há casos em que tal coisa acontece. Você está pronto a enfrentar um inimigo insolente por amor a Cristo e dizer “não a minha vontade, mas a tua seja feita”?

domingo, 2 de junho de 2013

A Culpa é Nossa

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16

               Chegamos a um tempo na nação brasileira onde a Igreja deve parar e refletir, olhando para seus atos presentes, olhando para o passado e para as Escrituras. O Brasil tem detenhorado cada dia mais. Violência, corrupção e injustiça são agora praticadas em plena luz. Imoralidade e abominações tornara-se normais e estimuláveis. Não há apreço pela vida humana em nossos governantes, e tampouco em nosso povo. A Igreja, embora tenha crescido numericamente, é motivo de chacota e vergonha. É insossa. Não consegue, embora com tantos membros, produzir uma mudança sequer na sociedade. Estamos sendo literalmente pisados pelos homens, e homens ímpios e imorais.

               Quero que notemos hoje a estrutura do texto que Jesus proferiu no sermão do monte. Ali lemos “e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” Note que o fato de o sal ter sido desprezado e lançado fora e pisado pelos homens é consequência do fato de que este sal foi insípido. Segue-se, portanto, que precisamos olhar no passado as causas da nossa derrota hoje.

               É de suma importância entendermos o papel que Deus destinou à Sua Igreja durante os últimos dias, isto é, durante o tempo que se seguiria desde a vinda de Jesus até seu Retorno em glória. Jesus disse no sermão da montanha que a Igreja é a “luz do mundo”. Em seguida, o Senhor a compara a uma cidade edificada sobre um monte, a qual é visível a todos, e a uma candeia acesa, que traz luz para todos os que estão na casa. O propósito de tais descrições é explicar o caráter transformador que a Igreja de Cristo deve exercer na sociedade ao ser redor. A linguagem de Jesus indica uma plenitude de influência, isto é, influência em todas as áreas. Veja, por exemplo, que a candeia não ilumina apenas um canto da casa, antes, por estar posta no topo, esta tem o poder de iluminar toda a casa. A casa e os que nela estão são o mundo e suas nações.

               A Igreja Cristã historicamente tem entendido seu papel de transformação da sociedade. Ao invés de demonizar a cultura, as artes, a política e os negócios é dever da Igreja afastar a influência do pecado nestas áreas, redimindo-as e subjugando-as ao padrão eterno de ética e santidade, que é o próprio Deus. E, evidentemente, conhecemos este padrão pela Sua Lei expressa de forma perfeita nas Escrituras.

               Um grande exemplo deste pensamento já encontramos cedo na história, ainda na antiguidade, quando a Igreja era perseguida e esmagada pelos Césares de Roma. Tamanho era o orgulho de tais imperadores que a si mesmos se declaravam Deus e exigiam adoração de seus súditos. Evidentemente, o ódio aos cristãos da época era explicado pelo fato de que eles se negavam a adorar César como Deus. Mesmo em face da morte, não amaram a própria vida. Mesmo em face do questionamento final “quem é teu senhor?” de um soldado pronto a usar sua espada, o cristão da época respondia “Jesus Cristo é o Senhor”. A força destas palavras é sobremodo reveladora. Pois sabemos que Jesus havia dito, pouco antes de ascender aos céus, que todo o poder havia sido dado a Ele no céu e na terra (Mateus 28:18). Paulo ainda ensinou que convém que Cristo reine dos céus até ter todos os inimigos postos debaixo de seus pés, aniquilando toda força contrária ao Seu governo. Por isso mesmo lê-se “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.” (1 Coríntios 15:24-25). A cosmovisão cristã de Paulo era, então, a seguinte: Cristo já Reina em poder e autoridade absolutas e só retornará a este mundo depois que toda autoridade contrária a Ele for conquistada e vencida. E temos visto no decorrer do tempo muitos inimigos de Cristo se levantarem e serem abatidos. Sem dúvida Roma era um deles. O Concílio de Nicéia foi o evento mais importante da antiguidade. O que aconteceu ali foi uma humilhação do poder Romano e dos Césares. A Roma invencível militarmente e que mantinha seu poder sobre o mundo governando com mãos de ferro agora foi vencida, não por um exército de outra nação, mas pelo Deus vivo e verdadeiro, o qual entregou à Sua Igreja os inimigos que a resistiam.

               O que nós crentes devemos entender é que existem apenas duas civilizações no mundo: a 
civilização de Deus, formada pelo seu povo remido, santo e vitorioso tendo como Cristo o seu Rei e a civilização dos homens, cujo Rei é Satanás. Somente uma vencerá no fim da história. E tal não é a civilização de Satanás. Qual é, pois, o papel da Igreja onde ela é inserida? O papel da Igreja é salgar o mundo com sua doutrina, ensinar as nações através de sua luz e ser um refúgio sólido no alto de uma montanha onde tais nações encontrem justiça e salvação. Isto quer dizer que a Grande Comissão entregue a nós por Cristo deve ser vista como uma ordem se subjugar às nações ao domínio do Senhor. Para tanto, devemos fazer como fizeram nossos pais, desafiando os ídolos de seu tempo em todas as áreas da vida humana, seja na política, nos negócios, nas artes, educação, enfim, em tudo. Devemos ser ativos culturalmente, não passivos ou isolacionistas.

               Tendo estabelecido esta base, olhemos agora para o que foi a Igreja brasileira desde que aqui chegou. Durante muito tempo tivemos uma igreja santa, comprometida com a salvação de pecadores sim, entretanto, uma igreja inerte culturalmente e isolada. Por muito vivemos num mundo à parte, sempre demonizando coisas ao nosso redor que deveríamos estar dominando. Por muito temos vimos crentes no Brasil demonizarem a mídia e a tencnologia de modo que por vezes tais afirmações seriam cômicas se não fossem trágicas. Como resultado, nunca fizemos nada para também redimir este tipo de atividade humana. Estávamos ocupados demais apenas com a salvação dos homens e nos esquecemos que deveríamos glorificar a Deus em primeiro lugar. E glorificá-lo inclui agirmos como embaixadores do Reino de Cristo, não descansando enquanto houver lugares onde ele não tenha domínio e senhorio. Se ele não tinha na televisão, que trabalhássemos para que tivesse. Se ele não tinha na política, que o fizéssemos ter. Se ele não tinha na academia e ciências, que nós crentes tomássemos este espaço também. O que fazíamos, entretanto, era até mesmo olhar com maus olhos o estudo e a ciência.

               Como vimos, nós fomos insípidos por décadas. Sem gosto, inertes. Somos culpados disso perante o Senhor. Satanás usou os seus para destruir nosso país  e nós permitimos. Como resultado, até mesmo nossa pureza interna foi destruída e tomada. Julgamento de Deus contra nós, sem dúvida. Hoje temos uma igreja brulhenta,  imoral, sem doutrina, apóstata e amante do mundo. Nosso ativismo hoje é extremamente ineficaz. Os líderes levam o povo para uma festa carnal onde crentes fazem barulho, pulam, cantam, gritam e adoram seus ídolos da Central do Brasil até a Cinelândia ou na Avenida Paulista. Nós achamos mesmo que isso fará a diferença? Tolos somos. Queremos conquistar com a força de nosso braço. Esquecemos que é Deus quem nos dará a vitória.

               A resposta correta Deus nos diz e, contudo, não queremos ouvir. E ei-la no livro de Crônicas, onde lemos “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14) Por que não, como escreveu Ciro Zibordi por estes dias, fazermos uma marcha onde choremos e lementemos pelo mar de iniquidade em que nosso país se encontra? Por que não reconhecermos que se o Brasil está assim é porque nunca fomos o que deveríamos ser? Devemos nos arrepender, ó Igreja brasileira, e chorar diante de Deus pelos nossos pecados. Regeneração e arrependimento devem haver no meio do povo. E mudança de cosmovisão também. E precisamos disso rápido, ou um dia será tarde demais.

domingo, 26 de maio de 2013

Zelo Espiritual e Verdadeira Piedade


Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.
Romanos 10:1-3

Neste texto o Apóstolo Paulo declara seu desejo de que seus irmãos judeus chegassem ao conhecimento da salvação, que é Cristo. Embora estivessem sem Cristo, pois estavam sem salvação, o apóstolo nos afirma que os israelitas tinham zelo por Deus. Isto quer dizer que tais homens e mulheres eram extremamente cuidadosos em cumprir seus ritos e, em muitos casos, devotados à sua religião. Evidentemente, por cumprir tais obrigações, sentiam-se devotados ao próprio Deus e sentiam-se confortáveis, pois pensavam agradá-lo. Todavia, afirma Paulo, o zelo dos israelitas não provinha do conhecimento, ou do entendimento. Literalmente, não era “de acordo com o conhecimento” (segundo as traduções King James e NVI e o texto original).

O peso do ensinamento que este verso apenas nos fornece deve ser causa de reflexão para todo cristão genuíno. O apóstolo está dizendo, entre outras palavras, que existe uma maneira correta de adorar a Deus, uma piedade bem definida. E, pelo uso da palavra conhecimento (ou entendimento), do grego epignosis, percebemos que esta verdade pode e deve ser conhecida. O próprio Deus estabeleceu em Seu livro a maneira pela qual todo cristão deve levar sua vida, a doutrina correta, bem como a maneira como a Igreja deve conduzir sua adoração pública e todos os demais procedimentos em que se envolve. Este conhecimento revelado nas Escrituras é a gnosis divina e ele somente é que produz verdadeira religião, ou verdadeira piedade.

Paulo continua seu argumento afirmando que eles, embora zelosos, não conheciam a justiça de Deus, termo que implica “todas as coisas que agradam ao Senhor”. Os judeus eram ignorantes daquilo que realmente era a vontade ou o ensino de Cristo. Deste modo, implica o apóstolo, sua tentativa de agradá-lo era vã e inútil. O versículo pode ser lido como “porquanto, sendo ignorantes quanto a forma correta de proceder com relação às coisas de Deus, e procurando estabelecer sua própria maneira de agir, não se submeteram àquela que Deus havia revelado”.

Este texto tem ampla aplicabilidade em nossos dias. Vivemos em uma época onde os crentes pensam poder agir como lhe convém no culto. Transformaram o culto num show de entretenimento. Fazem nele o que lhes vier a mente, sem qualquer preocupação: “Deus aceita isto em seu culto”? O conteúdo dos sermões é o que melhor agrada ao público. Poucos pregadores são humildes o suficiente para dizerem a si mesmos “é isso mesmo que Deus quer ensinar?” ou “tem sido este o ensino da Igreja através dos séculos?”. Quando uma forma nova de fazer igreja surge, muitos sedentos por crescimento correm para ela, tendo-a como a nova visão do momento, a vontade de Deus para sua Igreja. Mas sequer têm o trabalho de humildemente checar a gnosis divina, as Santas Escrituras, para ver se as coisas são mesmo assim. Muitos destes são crentes zelosos, que “amam” ao Senhor. Digo assim, pois amor a Deus sem obediência a seus mandamentos é mera ilusão.

O ensino que o Espírito nos dá através do texto em análise é claro: submeta sua religião ao crivo das Escrituras. Seja na esfera pessoal, de conduta, seja na esfera coletiva, de culto e serviços, tenha cuidado de rever cada procedimento, cada meta, cada motivação. Tenha cuidado de olhar para o passado, para os “marcos antigos”, postos por nossos pais, pois Deus não aceita adoração do modo que ele não prescreveu. É melhor ter um pouco de trabalho no estudo do caminho, do que tomar o caminho errado, aquele que mais nos agrada, e no fim ter feito tudo em vão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Precisamos de Avivamento

O Brasil, bem como o mundo ocidental, tem passado por uma crise moral, social e espiritual sem precedentes. Os movimentos politicamente corretos e marxistas querem transformar a sociedade substituindo a moral cristã, que é sua base, por uma moral ateísta e liberal. A nossa base moral, que nos trouxe até aqui, são as Escrituras Sagradas. Se você anda na rua hoje e tem um mínimo de confiança de que os que estão ao seu redor não vão se levantar contra você para roubar as chaves do seu carro ou mesmo para te tirar a vida, é por que está escrito "Não matarás" e também "Não roubarás". Por que então em outras questões queremos negar esta Lei? O liberalismo que se introduziu no século passado começou sutil. No princípio, somente algumas situações eram mudadas, somente alguns comportamentos liberados. Começou com a revolução sexual. O sexo, que biblicamente é lícito dentro do casamento entre homem e mulher tornou-se algo natural fora dele. Mas o que há de mal? Simples: se pecamos num ponto da Lei pecamos em todos. Se abrimos mão de um, logo estaremos abrindo mão de outros. Hoje, sequer o não matarás é respeitado. Chegamos ao ponto dos países legalizarem a abominação do aborto. Milhões de vida são silenciadas anualmente por essas políticas. Mas Deus não está inerte. Pois o Deus de misericórdia também foi o Deus que destruiu Sodoma e Gomorra no fogo por justo juízo. Você se lembra de que Deus é amor? Bom. Mas, lembrar-se-ia você de que Ele também é severo e vingador de toda iniquidade? Deveria.

E a Igreja? Morta, inerte em suas questões internas. O mesmo liberalismo de fora a invadiu. Prostitui-se diariamente com o mundo. Aceita e prega o Evangelho da Prosperidade, assinando sua destruição e condenação, pois este evangelho FECHA a porta da graça para as pessoas. Cegos guiando cegos. Hoje no Brasil temos tele evangelistas trazendo lobos em pele de cordeiro do exterior para seus programas de TV. E para que? Pregar o Evangelho é que não é. Eles vêm para pregar seu evangelho de mentiras. Para pedir "sementes" pela salvação da sua família, sucesso, prosperidade, o que nada mais é do que a velha e abominável heresia de venda da salvação medieval. Envergonham Lutero! Suas quinquilharias fazem a Igreja Medieval parecer pura diante do que eles fazem! E dizem que vivemos um grande avivamento! Ora, me poupem! Que avivamento é este que implica em mudança na sociedade? Que avivamento de sinais estranhos e manifestações ridículas atribuídas ao Espírito Santo? Pessoas caindo, rindo, rolando, em transe, e tudo atribuído ao Espírito Santo! Blasfêmia! São histeria coletiva, isso sim, quando não manifestações demoníacas mesmo. Olhando para tudo isso, até pensaríamos: quem? Quem há que permanece fiel?

"Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram frequentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do seu nome. E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve." (Malaquias 3:16-18)

Deus tem sempre um remanescente. Lembrai-vos de que achando Elias que era o único fiel em Israel, Deus o mostrou que 7000 haviam que não se dobraram a Baal. Onde estão estes 7000 hoje? Estes são os que tem de orar, clamar, se humilhar, pois fiel é Deus que prometeu "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." (2 Crônicas 7:14)

A Ira de Deus precisa ser satisfeita contra tamanha iniquidade! E existem dois meios de fazê-lo: arrependimento ou destruição. Precisamos clamar pela primeira opção.

Por onde olhamos vemos apostasia. Olhem para a Europa. Um continente que um dia irradiou a luz do Evangelho para as nações. Hoje, ateísta, imoral, pioneiro na destruição moral da sociedade. Não tardará o julgamento se não se arrependerem.

Américas? Seguindo pelo caminho do Velho Mundo. Estados Unidos? Mata mais de 3 mil infantes por dia! E usa a ONU para promover suas agendas imorais. Também exporta os falsos profetas da prosperidade, confissão positiva, e tantas outras heresias mais.

Concluo chamando aqueles que conhecem ao Senhor que clamem a Ele por um avivamento urgente. Tornemos para Deus, e Ele se tornará a nós. Convertamo-nos, e Ele nos perdoará. Olhemos para a Lei de Deus com respeito e temor. Ela é a peneira da justiça, que separa certo de errado, moral de imoral.

"Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, que lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos."
Malaquias 4:4

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A Paixão de Cristo


Talvez o filme mais bem produzido sobre as últimas horas da vida de Jesus Cristo, este de Mel Gibson ofende a muitos com a clareza que expõe o sofrimento ao qual Jesus foi submetido. Mas será que Cristo sofreu mais castigos físicos do que qualquer um que já andou sobre a terra? Evidentemente, basta olharmos para as histórias comoventes dos mártires cristãos, de ontem e de hoje, e poremos isto em dúvida. Filósofos gregos foram executados cruelmente e chegaram até a impedir que chorassem por eles. Morreram calados e com coragem. Assim também o foram, conjecturo, muitos cristãos perseguidos pelas mãos de Roma, por exemplo. Mas diz a Escritura que, antes de ser entregue aos sacerdotes judeus, Jesus chorou lágrimas de sangue no Getsemani. Seria o Filho de Deus medroso ou mais fraco que qualquer homem? Aquele que disse que bastava uma palavra e legiões de anjos viriam a seu dispor deveria temer os homens em que? Certamente, eu digo, precisamos saber o que Jesus temia. O que o fez chorar sangue? Disto depende nossa compreensão do Evangelho. Jesus pediu ao Pai que afastasse dele um cálice, uma taça. Mas, o que havia neste copo? A resposta encontraremos nas próprias Escrituras.

“Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do SENHOR o cálice do seu FUROR; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento.” (Isaias 51:17)

"Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do FUROR, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei." (Jeremias 25:15)

"Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão." (Salmo 75:8)

Como vemos, diz a Palavra de Deus que, em sua mão, Deus tem um cálice cheio de FUROR, palavra que significa IRA, RAIVA, SANTA INDIGNAÇÃO. E que dará de beber aos ímpios da terra, aqueles que pecaram contra sua santa Lei. Ainda poderíamos citar outros versos mostrando quão terrível é este cálice, cheio de misturas e lixo, como nos revelou o salmista.

O que Jesus temia? Esta foi nossa pergunta. Não, ele não temia sofrimento algum dos homens. Jesus temia algo muito pior. Jesus temia o que eu e você deveríamos temer. Ele temia aquilo de que hoje muitos zombam, negando sua existência. Jesus temia a IRA DE DEUS! O que ele estava para fazer era tomar voluntariamente o cálice da IRA do Deus Todo-Poderoso. Isto é uma figura de linguagem que descreve que Jesus estava para ser castigado, punido, atormentado pelas mãos do próprio Deus pelos pecados. E pecados de quem? Dele não eram, pois Cristo jamais pecou. Eram pecados dos homens. Imorais, indignos, imundos, violadores da lei. Dia após dia, eu e você pecamos milhares de vezes. Seja nas menores coisas, nos tornamos indignos diante da santidade de Deus. Somos criminosos, violadores dos seus mandamentos.

A resposta teológica mais digna que já ouvi a respeito do motivo pelo qual o pecado do homem merece punição ETERNA no fogo é exatamente que, embora na nossa mentalidade, um único pecado possa ser simples, não se trata do ofensor, e sim do ofendido. Diga mal a respeito de um rei em público e você provavelmente vai preso. Diga mal a respeito de um qualquer e nada te acontecerá. A ofensa torna-se pior devido a magnitude do ofendido. É a lei da proporcionalidade. Cada ato deve ser punido de acordo com a proporção da ofensa. "Olho por olho, dente por dente" nos diz a Lei de Deus. Pecamos contra um Deus infinito em seu ser. Seremos punido com a eternidade de sofrimentos e desgraça. Ai de nós, certamente, pois pecamos não contra um semelhante nosso, mas contra o ETERNO e SOBERANO, e INFINITO Deus.  Merecemos, portanto, punição infinita. Esta seria a única forma de saldar nosso débito com Deus: passando a eternidade no Inferno.

Mas Deus é amor! E por isso mesmo dizem as Escrituras, “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:5). Sim, a Lei de Deus prevê a morte ao infrator, mas também prevê um resgate. Alguém puro e imaculado deveria sofrer a punição no lugar do homem. A Ira de Deus precisa ser satisfeita. Quem? Quem faria isso, senão o Filho do Homem, Jesus, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem?  E, estajam certos de que ele fez. Bebeu o cálice. E ali na Cruz realizou algo que NENHUM filme conseguirá retratar. Cinegrafistas sequer entendem isso. O maior cargo de Cristo foi na Cruz. Ali, sem ninguém ver, sejam seus discípulos, sua mãe, ou mesmo aqueles que dele zombavam impiamente. Nenhum deles viu a mão invisível que o afligia. Ali, em instantes, ele suportou o Deus Eterno em inimizade contra ele mesmo. Enquanto escrevo isso busco palavras, pois as mesmas faltam. Não há nas línguas dos homens algo que possa descrever com perfeição esta cena. Deus ferindo a Seu Filho, derramando sobre Ele a Ira que eu você levaríamos a eternidade para pagar, em apenas alguns momentos. Isso sim, foi o que o fez chorar sangue. E ele bebeu do cálice. E ali na Cruz pagou total e finalmente pelos pecados do seu povo. Dali em diante, embora possamos muitas vezes não entender, NÃO existe nenhuma dívida ou crime na ficha daqueles que creem em Jesus Cristo. Ela está limpa, nova, branca. Continuamos pecadores miseráveis, sim. A única coisa que diferencia um crente em Jesus de um incrédulo não é a ausência de pecado, mas sim, o sangue que foi posto sobre um e não sobre o outro. E quando Deus olha para este homem sujo de sangue, ele não vê pecado, pois sua ira fora satisfeita. Louvado seja o SENHOR, e a Seu Filho amado, pela Obra da Redenção!!!

Isso me lembra que eu devo dizer algo a três grupos de pessoas:

1) A você que crê em Jesus, por mais que te atormentem os seus pecados, legalmente você está livre. Legalmente não existe condenação sobre você. Descanse na promessa da Redenção. Não digo descanse como se dissesse “não busque viver em santidade” ou ainda “não se incomode com o seu pecado”. Pelo contrário, a marca de um verdadeiro salvo é sua luta por perfeição, é sua guerra contra o pecado que habita em si mesmo. O que eu estou dizendo é que você deve entender que todos os seus pecados já foram perdoados na Cruz! E isso não pode ser tirado de você. As circunstâncias, dores, os males, os anjos maus a serviço do Príncipe das Trevas, todos eles tem nenhum direito de te condenar ou de te tirar o perdão. Ele foi comprado por Cristo, e na autoridade e poder de Cristo é que te foram outorgados. Queira Satanás ou não, “ninguém intentará acusação contra os eleitos de Deus”.

2) A você que não crê, que vive como se não estivesse em oposição a Deus. Pare de desperdiçar sua vida. Acorde de sua cegueira, arrependa-se. E por que isto é tão importante? Pois todos os que não creem em Jesus não recebem os benefícios da Cruz. Se você não crê, isto é, se você ainda não se arrependeu, e tornou-se para Deus e Sua Lei, você está em oposição a Deus e sobre você está a IRA dele! Não espere até a porta da graça se fechar e você abrir os olhos na eternidade sem Cristo, sem estar sujo de sangue! De outro modo você enfrentará aquele cujos olhos são como chama de fogo. Terá de prestar contas diante do Juiz de toda a Terra! E sem Cristo será indesculpável, restando para você o fogo eterno do inferno.

3) A você que é um homem ou mulher religioso, vai a igreja, vive externamente como cristão; já foi batizado, participa da Ceia do Senhor, enfim. Para você mesmo, e talvez aos que estão ao seu redor, você seja um cristão. Mas você pode estar enganado. Eu não ousaria deixar este grupo de pessoas passar em vão. Isto por que eu creio que ele seja um dos mais numerosos. No Brasil estamos vendo um crescimento estrondoso da religião evangélica, entretanto, devo afirmar que não está aumentando o número de pessoas realmente nascidas de novo. Pelo contrário, elas são raras. Permita ofendê-lo por um momento, a você que é evangélico hoje no Brasil, mas por amor a Deus preciso faze-lo. À Lei e ao testemunho! Deixe-me dizer como se fazem novos convertidos no Brasil de hoje:
- convida-se a pessoa a comparecer em alguma igreja local com a desculpa de que Jesus pode mudar sua vida terrena. A pessoa, quando vai, o faz na expectativa de uma melhora de vida material. Seja um marido ruim, um emprego ruim, problemas financeiros, emocionais, na família, enfim, toda sorte de males desta vida. “Vem pra Jesus e sua vida vai mudar!” “Vem pra Jesus, e você que está desempregado conseguirá um emprego.” “Vem pra Jesus, e você será bem sucedido.” “Você nasceu pra vencer e Deus quer te prosperar.” “Aceite Jesus e veja sua vida transformada.” Todas estas frases fazem parte deste tipo de atitude e tentativas de conversão fantasiosas.
- a Igreja colabora com este sistema ímpio e mundano dizendo ao pecador que se ele “adquirir”, sim, ADQUIRIR a Jesus, então ele dará a solução aos seus problemas. Em raríssimas exceções, ou quase nenhuma, em muitos casos, a pessoa é levada a crer que ela tem um problema maior do que os que ela pensa que tem, a saber, que ela está em oposição e rebelião contra Deus. Pelo contrário, a Igreja MENTE a ela, sempre dizendo que Deus está do lado dela, e quer abençoá-la; basta ela conformar-se com duas ou três regras de conduta “evangélicas”, ir à igreja com certa frequência e pronto. E não digam-me que não é assim por que é exatamente isso que acontece. Conscientes disso ou não, nos ESQUECEMOS o que é conversão, arrependimento e salvação. Mas ainda tem mais.
- depois disso, a pessoa vai a Igreja, ouve a mesma pregação centrada não em Cristo, sua Soberania e o problema do pecado, a convocação geral de Cristo para indivíduos e nações submeterem-se a Sua Lei, mas nas suas necessidades terrenas. No fim, ela é convidada a fazer uma oração induzida, a famigerada e terrível “oração do pecador”. É convidada a dar uma chance para Jesus mudar a sua vida (!!!!). E, se ela fez a oração pela primeira vez, é convidada a ir a frente. Senão, está apenas afastada. Basta fazer de novo e voltar pra Ele. Para os evangélicos de hoje, este é o rito de passagem. Por um passe de mágica, a pessoa agora é declarada crente, convertida! Que loucura! Não existe heresia tão terrível quanto esta!
- uma vez “salva” a pessoa é, então, batizada sem qualquer entendimento do que é ser um convertido, apenas crendo e esperando que Jesus mudará sua vida... aqui na terra e que, por algum motivo, por estar na Igreja, ela um dia irá para o céu.
E assim tem sido, semana após semana; legiões de novos crentes se formam assim. Avalie hoje, você que lê este texto, se você não é um deles. A santidade na vida cristã é algo sério! O padrão de exigência para ser cristão é seríssimo! Você precisa odiar o estilo de vida do mundo. Ser cristão não é apenas não beber, fumar, matar ou roubar. Não! Olhe pare si e veja quão ímpios são seus pensamentos! Veja quantos mandamentos você transgride numa só conversa informal, num só programa de TV que assiste, em um rápido pensamento que passa pela sua mente! Esta geração de crentes de hoje sequer sabe disso. Sequer entendem a seriedade disso! Vivem como se estes pecados, quando o são reconhecidos como tal, fossem nada! E isso por quê? Porque eles foram levados a crer que são nascidos de novo quando NÃO são! Veja: se os evangélicos no Brasil hoje são mais de 20% por que não mudamos este país? Se com 120 pessoas cheias do Espirito Santo o mundo foi abalado na época dos apóstolos, por que nós hoje, com milhões, não conseguimos fazer isso? Ficou, por acaso, o Espirito Santo mais fraco? Ou seria o poder dos poderes, o qual ressuscitou Jesus dos mortos, não tão grandioso como outrora? Não. A resposta é que há poucos, pouquíssimos, que realmente entendem, compreendem, que realmente foram lavados com o sangue do Cordeiro. Isto precisa ser dito. E o foi. Oro a Deus para que você entenda, e não tenha vergonha de se arrepender e se precisar, assumir que mesmo depois de anos de igreja, até de ministério, você jamais foi convertido.  Melhor nos seria o humilharmo-nos agora, do que o enfrentar a Ira do porvir!

Pense nisso.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Há esperança para 2013?

Quando vemos falsários mentirem na TV e pedirem dinheiro ensinando ao povo de Deus a literalmente "fazer um negócio com Deus". Quando vemos indulgências sendo novamente vendidas e falsos profetas colocando preço até mesmo na alma humana (exatamente como a 500 anos atrás fazia a Igreja de Roma). Gente deificando o homem e humanizando Deus, reduzindo-o a um servo de nossas vontades materiais. Quando vemos igrejas abertamente apostatando de suas fundações e desviando-se da rota que seus pais fundadores sonharam para elas (aqui, nos EUA, um país historicamente protestante/evangélico onde, creio, um dia encontrar-se-ía uma igreja saudável sem tanta dificuldade, hoje tornou-se um antro de apostasia. Estou em um lugar diferente da minha cidade - Washington, DC - e como é difícil encontrar uma igreja! Em menos de um mês, as duas igrejas presbiterianas que encontrei próximo de onde estava, duas vezes e em cidades diferentes, eram adeptas do movimento de liberalidade sexual - quem lê entenda). No Brasil, as seitas neopentecostais não parecem dar sinais de fracasso ou retrocesso. O sincretismo e a venda do evangelho das mundiais e universais, a confissão positiva das internacionais, a teologia da prosperidade de milhares de igrejas (e das três anteriores), as mágicas travestidas de Evangelho de um senhor que vai ao país em Fevereiro (para nossa desgraça) e a condescendência de muitas lagoas que ficam no meio do caminho, ou as "loucuras por Jesus" de alguns que, no afã de aparecer, profanam símbolos sagrados, a altivez dos apóstolos modernos e seus estapafúrdios atos proféticos (o que é isso mesmo?) , os "ungidos do Senhor" que buscam a mesma autoridade do Papa (infalibilidade e autoridade suprema sobre seus seguidores) e tantos e tantos desvios mais. Como encarar 2013? Como encarar o futuro!? E essa é só a batalha do lado de dentro.

Do lado de fora, as engenharias socias das elites globalistas seguem a todo vapor em seu plano de suplantar o cristianismo e os valores judaico-cristãos por um misto de comunismo, totalitarismo e sincretismo religioso. Daí, até entendo os evangélicos que creem na escatologia aterrorizante, incentivando medo e terror nas pessoas. O mundo está ficando cada vez mais apóstata. Por ano, centenas de milhares de cristãos são perseguidos e mortos no mundo pela sua fé. Dados reais. Só em 2012 estima-se que morreu um cristão a cada cinco minutos (105 mil). Será que não há esperança? Só nos restaria o arrebatamento e ver nossa missão falhar? Há alguns que pensam diferente. Tenho aos poucos me tornado um deles. Ontem li a citação do profeta Isaías. Ainda pode haver esperança: "Assim diz o SENHOR, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que a nação abomina, ao servo dos que dominam: Os reis o verão, e se levantarão, como também os príncipes, e eles diante de ti se inclinarão, por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu. Assim diz o SENHOR: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra". (Isaías 49.7-8)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Ira do Cordeiro


‎E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da IRA DO CORDEIRO; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir? Apocalipse 6:15-17 - ACF

Deus é amor, Deus é amor. Frase comum hoje em dia, partilhada por muitos, compreendida por poucos. De fato, uma afirmação bíblica. João, em sua epístola afirmou esta verdade, usando as mesmas palavras (1 João 4:16).

Tendo isto em vista, muitas pessoas hoje tem dificuldades em entender uma grande verdade sobre o caráter de Deus: que o Deus que ama também odeia, e sua ira está contra todo pecado e iniquidade. Uns chegam ao absurdo de negar a existência de um inferno. Deus é amor, dizem, e como tal, não condenaria ninguém ao inferno. Será isso verdade, ou apenas a repetição ignorante de um clichê pós-moderno? Será esse “Deus de amor” moderno o Deus da Bíblia? E a resposta é um contundente NÃO! Se você quer entender quem é o Deus da Bíblia precisa considerar seus atributos por completo, em igualdade, jamais ignorando um em detrimento de outros. Para iniciar nossa análise, deixe-me instiga-lo com uma questão? Pode Deus perdoar seus pecados? Claro que sim, alguém responderia! Deus é amor, e como tal ele pode perdoar meus pecados. Para a surpresa de muitos, a Bíblia NÃO ensina esta doutrina. Pois perdoar um pecado implica em deixar o transgressor livre da merecida condenação. E Deus não faz isso. Por que? Pois Ele é JUSTO! Você ficaria satisfeito se um juiz, por ser benéfico e compassivo, deixasse um assassino de crianças livre? Ah, mas o juiz é amor, você seria forcado a dizer se fosse levar seu argumento a respeito de Deus a sério. Deus é amor, sim, mas também é justo, e como tal Sua Ira contra os pecados da humanidade DEVE ser satisfeita, e ela seria satisfeita se Ele lançasse a nós todos no fogo do INFERNO!

Agora que consideramos tudo isso, eu mesmo usarei o atributo amoroso de Deus em minha exposição. Deus é amor. Agora estamos chegando perto de usar esta verdade sabiamente. Prossigamos. Deus é justo e não pode deixar um miserável pecador como eu e como você sem punição. Foi isso que Moises disse ao ver a majestade de Deus: “E passou diante de Moisés, proclamando: "Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado; castiga os filhos e os netos pelo pecado de seus pais, até a terceira e a quarta gerações” (Êxodo 34:6-7 - NVI). Estranho, não? Paradoxal. Deus NÃO deixa de punir o pecado, mas mesmo tempo deixa de puni-lo, pois é o que perdoar significa. Segundo o dicionário de Oxford – para a palavra forgive, perdão em inglês – perdoar é “desistir de ressentimento ou reivindicação de recompensa para (um delito)”. E isso já vimos que Deus, justo, não faz. Qual a resposta então? Como resolver o paradoxo de Êxodo 34:6-7? E a resposta é a Cruz. Na Cruz, a Justiça e Amor de Deus se encontraram!

Este é o entendimento que nos cristãos temos da Cruz. E é inaceitável que alguém se diga Cristão se não crer desta forma. O que Jesus fez na Cruz não foi sofrer chicotes e açoites apenas. Tampouco o escárnio ou os pregos. O que Jesus temeu, e o fez soar sangue, foi a IRA de DEUS. Era o que havia no cálice o qual Ele pediu ao Pai que afastasse de si. O que havia nesse cálice era a punição, a Ira, o ODIO santo de um Deus justo pelo pecado do povo. E Jesus bebeu este cálice, todo. Nenhuma gota restou. Voltemos a pergunta inicial: Deus perdoa pecados? Agora sim, e por que? Por que o débito foi pago, a ira satisfeita. O pecado, este foi punido. Louvado seja Deus por Jesus Cristo!

Mas, no início desta reflexão, lemos o Apostolo Joao falar sobre a IRA do Cordeiro. Talvez você pense: Cristo já pagou pela Ira, então eu não tenho o que temer. Cuidado! Cristo pagou pela Ira dos Seu povo! Você faz parte do povo de Deus? Você se ARREPENDEU dos seus pecados, voltou-se para Deus e busca santificar-se? Sua mente e coração doem pelo seu pecado? Você creu e recebeu Jesus como a fonte de toda sua vida e esperança? As palavras-chave são fé e arrependimento. Se você não o fez, devo te alertar com temor e tremor, faça-o logo! Não ouse esperar a morte e passar para eternidade sem receber os benefícios do sacrifício de Cristo. Não tema o diabo. Tenha medo de Deus! Ai dos que passam para o além sem serem perdoados. Enfrentarão a Ira de Deus! Arrependa-se, e volte para Cristo, enquanto Ele ainda é um Cordeiro misericordioso. Não espere ele se tornar o Cordeiro Irado!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Eleição e Cosmovisão Cristãs



Como a Eleição mudou minha perspectiva sobre Salvação, sobre Cristo, sobre o Homem e sobre a Igreja.


Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)
Romanos 9:11

O que é eleição? Segundo a doutrina reformada histórica, entende-se por eleição o ato soberano de Deus ocorrido antes da fundação do mundo, no qual Ele, contemplando a raça humana caída resolveu escolher para si um povo. Elegeu dentre os homens incontáveis multidões, a fim de os chamar, regenerar, santificar e, por fim, glorificar quando da ocasião de seu retorno.
Hoje, uma vasta maioria dos crentes rejeitou e se afastou deste pensamento, embora até algum tempo atrás ele fosse maioria entre as Igrejas Protestantes. Vê-se, porém, um retorno a esta doutrina da parte de muitas pessoas, em especial muitos jovens. O motivo? Bom, se posso inferir algo, eu diria apenas que é porque esta é uma doutrina bíblica, e Deus está para trazer um grande retorno às Escrituras em nossos dias.
A mudança que ocorreu comigo não pode ser resumida a uma troca de detalhes. Foi algo radical. Toda uma cosmovisão tem sido mudada e realinhada. Não é apenas crer nos cinco pontos arminianos e passar a crer nos calvinistas. Nem tampouco trocar Eleição Condicional por Eleição Incondicional. Não é uma questão de adicionar ou retirar prefixos. Quero deixar a você que lê este texto às bênçãos e mudanças que a doutrina da Eleição trouxe em minha vida.

Salvação

               Um dos fatos que leva muitos a rejeitarem a doutrina da Eleição é o fato de que esta vai de encontro a uma perspectiva errada de Deus partilhada por uma gama de crentes hoje em dia. Eles creem que Deus seria injusto se escolhesse salvar uns e não outros. Afirmam, por isso, que Deus quer salvar a todos, e que torna esta salvação alcançável a todo ser humano. Este deve, então, usar de seu livre-arbítrio com o fim de aceitar ou recusar tornar-se para Deus. Eis alguns problemas com esta visão:

·        Como explica-se o fato de nações inteiras terem nascido, se desenvolvido e desaparecido da face da terra sem sequer ouvir do Evangelho? Que oportunidade tiveram eles de ouvir sobre Cristo?
·        Como se coaduna esta ideia ao fato de que Deus é o Autor e Consumador de nossa fé? Se eu aceito ou rejeito a Cristo, então minha salvação foi baseada na minha escolha. Sem desejar, os que assim creem estão suportando um pensamento que rouba a glória de Deus.
·        Como se coaduna isto à pura doutrina que todo cristão sincero deve professar, a saber, a doutrina da Expiação Substitutiva, ou seja, de que Cristo levou a Ira de Deus na Cruz pelos nossos pecados e desde então eles foram perdoados. Se assim for, como pode Deus ter levado os pecados de toda a humanidade e condenar ao inferno os que não aceitarem? Como ficam os que “aceitaram” e se desviaram? Esta pessoa será condenada pelo que? Se uma vez crido os pecados não foram perdoados, destrói-se o Evangelho. Se foram, então fica difícil crer numa doutrina que ensina que eu tenho liberdade de me ligar ou desligar a Cristo quando eu bem entender.
·        Como explicar a esperança que há em mim, se eu sequer posso estar certo de que amanhã continuarei sendo crente?

Estes são somente alguns exemplos de como minha cosmovisão anterior era frágil, pois não achava respostas sinceras e bíblicas para estas perguntas. Hoje enxergo mais claramente o quão tremenda é a soberania do nosso Deus! Quão inescrutáveis são seus caminhos! Enxergo mais claramente o amor com que Ele me amou. Não fui salvo por que eu decidi ou por que eu aceitei. Fui salvo pela Sua grande graça e misericórdia. Hoje eu afirmo com o salmista sem medo “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.” (Salmos 139:16)

Agora percebo com mais clareza a necessidade urgente se proclamar o Evangelho aos quatro cantos desta terra, pois o ser humano nasce perdido e condenado, sendo o Evangelho a sua única chance dele vir a conhecer liberdade e salvação. Percebo que, se nações inteiras foram derribadas sem ouvir de Cristo, Deus é justo e em sua justiça as condenou. Valorizo portanto, cada vez mais, o fato de eu ter disponibilidade de ouvir e falar do Evangelho. Isso é graça!

Cada detalhe da existência deste universo foi criado e preordenado pelo Deus que creio. Sim, Deus é um kyrios despotes, um Senhor Soberano, sim, um déspota! Faz tudo conforme lhe apraz. Que bom é confiar em sua vontade e amor! Assim, afirmo com Paulo que ninguém jamais resistiu a sua vontade! (Romanos 9:19).

Glorifico a Deus agora pela minha Salvação. Não tenho parte nenhuma nisso. Não tivesse Ele me escolhido estaria em trevas até então. Os eventos que me trouxeram até aqui são frutos de Sua soberana vontade! A cada passo que dou estou cumprindo Sua vontade. Mesmo os pecados que cometo. Sim, tudo predestinado, para Sua glória. Que Ele cresça e eu diminua. Que prevaleça a vontade dEle, e não a minha. Esta é, sim, a oração que sempre será respondida. Louvarei ao grande EU SOU eternamente, pois mesmo sendo pó, mesmo sendo nada para que Ele em sua majestade se importasse comigo, hoje eu posso dizer que pelo sangue do Seu Cordeiro eu sou livre da condenação que EU merecia. Eu não escolhi isso, pois mortos não escolhem coisa alguma. Eu estava morto em meus pecados e delitos. Mas o Espirito de Deus cumpriu o decreto eterno e meu deu vida, levando-me a crer. Aleluia!

Cristo

Quem é Cristo? O que Ele veio fazer? Hoje posso crer que Jesus veio fazer o que se propôs a fazer. Ele veio com uma missão e a cumpriu. Não veio esperando salvar a humanidade. Ele veio salvar a todo o que nEle crer. Veio cumprir o que determinou o Pai desde a Eternidade, Veio morrer pelos pecados de Sua Igreja. Posso dizer como Isaias que “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Isaías 53:11)

Homem

E quanto ao homem? Que parte cabe ao homem na cosmovisão bíblica? Davi responde “Que é o homem mortal para que te lembres dele?” (Salmos 8:4). Somos nada! Somos pó! Mortos, inclinados eternamente para o mal! Entenda isso! Em nenhum lugar as Escrituras dão a entender que temos a capacidade de julgar entre o bem e o mal de forma neutra e escolher, livremente, praticar o bem, inclinar nossa vontade para Deus. Hoje entendo que nada fui nem nunca nada serei. Tudo o que tenho, tudo o que sou, vem de Ti, Senhor!

Igreja

Na cosmovisão arminiana, Deus apenas sabe quem se salvará, pacificamente. A Igreja é, então, como um barco que convida a todos o que de fora estão se afogando a entrar. O destino deste barco é o céu. Os que livremente entram no barco, podem livremente sair dele.
               
Muito tentadora esta concepção, porém, não é o que diz a Escritura. A Bíblia fala da Igreja como um edifício, o qual o próprio Cristo constrói. As pedras deste edifício são os crentes, os regenerados, nascidos de novo. Também diz a Palavra que ninguém nasce de novo caso não seja esta a vontade de Deus. Diz que a fé, que é o meio da nossa Salvação, não vem de nós; vem, porém, de Deus. Qual é o meu e o seu papel nisso? Nenhum.

A Igreja é a Noiva do Cordeiro, eleita desde antes da fundação do mundo, por quem Ele deu a vida, e por quem pagou com sangue os seus pecados. Esta Igreja era conhecida por Deus desde sempre. Sua extensão foi determinada uma vez e jamais será mudada. No fim, o trabalho estará completo, e o homem não terá influído em nada. Nem mesmo um centímetro da obra e do plano original foi mudado ou impedido, muito menos atrasado.

Espero que esta reflexão possa ter ajudado a compreender melhor o que é eleição e como essa maravilhosa doutrina influi na cosmovisão cristã. Paz de Cristo a todos!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Último dia da Festa


No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.
João 7:37-39 (ARA)


Era a Festa dos Tabernáculos em Israel. Um tempo em que, alegremente, todo aquele povo aglomerava-se em Jerusalém para as celebrações costumeiras. O “sucot” ou Festa dos Tabernáculos ou Cabanas é a celebração judaica em memória dos quarenta anos que se seguiram à saída do povo de Israel do Egito. Você deve lembrar bem que neste tempo Israel não tinha habitações fixas, antes, andavam errantes, e andavam pelo deserto.

Antes que esta especial celebração terminasse, que a alegria da diversão se esvaísse até o próximo ano ou até a próxima festa, Jesus aproveitou-se da oportunidade, com todo o seu simbolismo, para publicamente proclamar o que acabamos de ler em nosso texto. É de se notar que a festa dos tabernáculos remonta ao exílio no deserto após o êxodo, e de que Jesus faz uma promessa que tem exatamente a ver com este assunto: ele promete água!

Onisciente que era, nosso Senhor certamente conhecia a necessidade mais interior do homem. Ele olhava aquela multidão de pessoas celebrando naquele lugar, diante do Templo de Jerusalém e certamente não olhava o exterior delas. Ele via seu interior. Por fora, alegres e dançantes, conjecturo eu, afinal, era uma festa. Por dentro porém, lhes faltava algo. Eles estavam secos, peregrinando por um deserto infinito, o deserto espiritual em que se encontra todo aquele que não tem Deus.

Sabedor que era desta necessidade, Jesus então surpreende a todos e, antes que partissem, ele proclama em alto e bom som aquela que é a essência da mensagem, o convite do evangelho:

Se alguém tem sede, venha a mim e beba

O que será que se passou na mente do povo ao ouvir estas declarações? Que questionamentos? Quais indagações? Jesus então continua, e elucida sua afirmação inicial:

Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

Que rios? Que águas? Do que falava Jesus? Por que não ser mais claro!? Sem dúvida, afirmo, Jesus não poderia ter sido mais claro. Aqueles que estavam cônscios de sua própria sede, que sabiam que necessitavam que alguém os acudisse, sim, os eleitos de Deus, os que haviam de ser salvos, esses sim entenderam perfeitamente o que Jesus queria dizer.

Jesus falava do Espírito Santo. E ao dizer isso, intrinsecamente ele falava da Salvação – pois sabemos que o Espírito só habita nos salvos. João, o autor do evangelho, explica “Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem”. Quero expor hoje alguns ensinamentos de Jesus que podemos extrair das Escrituras com respeito aos “rios de água viva” que fluiriam do interior daqueles que cressem. Com respeito a isso, alguns questionamentos podem surgir:
  1. Que são estes rios?
  2. Como posso saber se ele está presente em mim?
  3. Que espécie de obra ele opera em nós?
  4. Como posso receber estes rios dentro de mim?

  1. Que são estes rios?
O primeiro ensino que desejo expor é a natureza real dos “rios de água viva”. João mesmo nos explica que estas águas que certamente saciariam a sede dos que cressem simbolizavam o Espírito Santo. A promessa de Jesus era de que Ele seria glorificado, mas através do Espírito Santo, habitaria em nós, juntamente com o Pai.

A presença interior do Espírito Santo é a certeza que o crente possui de sua filiação. É o selo, a marca que atesta nossa eleição em Deus. Não se engane. O Espírito jamais habitará a quem Deus não elegeu. E aos que elegeu, não só habitará, mas o preservará finalmente, apresentando-o santificado e digno de ouvir “vinde benditos de meu Pai” da boca do Mestre. Este Espírito é aquele que, no tempo oportuno, regenera o coração do homem caído, o chama eficazmente e concede a ele fé para que possa crer. Este Espírito vem então habitar no crente, operando uma obra de completa transformação, isto é, santificando o crente, capacitando-o cada vez mais a vencer o pecado, e formando o caráter de Cristo em Sua Vida. Este Espírito testifica ao crente sua filiação. Não o deixa perecer. Mesmo no dia mais nebuloso, no meio da mais forte tempestade, o Espírito Santo guia nossos olhos para o Autor e Consumador da nossa fé, que é Jesus Cristo.

Este é o “outro Consolador” prometido por Jesus. Ele está conosco nas horas mais difíceis, e nas fáceis também! É aquele que intercede por nós, pois não sabemos como se deve orar. É aquele que livra nossos olhos de sua própria concupiscência, que nos fortalece quando o pecado vem como um algoz a nos tentar fazer negar a Cristo. Este Espírito, é, aliás, aquele que nos levanta quando cedemos a tão terrível tentação e, mesmo estando sujos pelo pecado, ele tem o remédio: nos mergulha no sangue de Jesus derramado na Cruz, e ao levantar, estamos limpos outra vez. Este Espírito glorificará sempre Aquele que deu a vida por nós, Jesus Cristo. Nos conduzirá a Ele, a crer nEle, a confiar nEle, a descansar nEle. Este Espírito fluirá em nós, e através de nós, para não somente benefício nosso, mas para tantos quantos estiverem ao nosso redor.
  1. Como posso saber se ele está presente em mim?
Um questionamento comum que atormenta diariamente muitos cristãos sinceros é este: sou verdadeiramente um filho de Deus? Sou salvo? Sem dúvida esta questão transcende a barreira entre calvinistas e arminianos. É infantil afirmar que calvinistas tem certeza da salvação por que creem na eleição incondicional¹ e perseverança dos santos² e os arminianos, por não entenderem assim, não tem esta certeza. Segurança é uma benção, uma graça que advém tanto a arminianos como a calvinistas; e como uma graça, uns podem possuí-la em alto grau, outros nem tanto. Uns, mesmo a tendo, podem perdê-la por um tempo, devido a alguma tempestade, mas, com tudo isso, o que quero que entendam é que a certeza de nossa salvação advém da certeza da presença do Espírito em nós. Por isso, é válida a pergunta: como saber se ele está em mim?

Vamos tentar responder a esta pergunta, mas não sem antes pontuar sobre um assunto que, creio, trará alívio a muitas almas. Vejamos alguns dizeres do Apóstolo Paulo:

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.
Romanos 8:29-30 (ACF)

É de fundamental importância que a Salvação é garantida para todos os eleitos e predestinados em Cristo, quer eles saibam disso ou não, quer eles tenham segurança ou não. Portanto a você, irmão, imerso em dúvidas, não desejo que Satanás ardilosamente enfraqueça sua fé. Confie em Cristo, só nEle. Isto lhe será por garantia de salvação, ainda que seus pecados lhe assombrem e, como convém a um santo, você não veja bem algum em si, e tenha dificuldades de sentir certeza de sua salvação, não temas. Saiba que aquele que lhe conheceu desde antes da fundação do mundo, na eternidade, este mesmo o glorificará, também na eternidade. De eternidade a eternidade, se encontra o propósito de Deus na salvação do homem. Aleluia!

Voltemos agora à nossa questão primordial: como saber se o Espírito habita em nós. Em primeiro lugar, como já expliquei, o fato de termos dúvidas não é indício de que Ele não habite em nós. “Há incredulidade até em nossa fé”, disse Spurgeon³. Tal qual a nascente de um grande rio é tímida em meio a densas árvores, e do alto talvez não a enxerguem, isso não é indício de que a nascente e o rio não existam. Assim também, gradativamente, a obra do Espírito Santo se fará conhecida em sua vida, mais rapidamente à vista dos outros, talvez, do que à sua própria vista.

Jesus disse “quem crer em mim do seu interior fluirão”. Sem dúvida, estas palavras do Mestre devem soar como alento, um descanso para nós. E por quê? Pois ele afirmou, sem deixar sombra de dúvida, de que o Espírito estaria presente na vida de todos aqueles que cressem! Se você deseja saber se o Espírito habita em você, se ele flui em sua vida, examine-se a si mesmo: você crê em Jesus? Você entende, e confia na obra de redenção que Ele realizou por você? Você sabe que não habita bem algum em você, e não fosse pela graça de Deus você estaria perdido em seus próprios pecados? Você, mesmo cheio de dúvidas e assombrado pelos seus pecados, que lhe ferem e lhe fazem sentir o mais miserável dos homens, mesmo assim, quando dobra-se diante do Pai sabe pedir perdão e sua única garantia e confiança é a Cruz e o que ela representa? Sim, meu irmão; se a sua resposta a isto é “sim”, então você crê. E se você crê, você tem o Espírito Santo. São palavras de Jesus, e não minhas.

Vale aqui dizer, neste ponto, algumas palavras com respeito a um engano comum nas igrejas de hoje, em especial nas carismáticas e pentecostais. Reconheço o saldo positivo do movimento pentecostal/carismático. Sou um de seus “filhos”. Creio na atualidade dos dons do Espírito Santo. Entretanto, há um aspecto na teologia pentecostal que traz um fardo desnecessário para muitos crentes. Desnecessário e antibíblico. É uma tricotomização da raça humana; Quando, na verdade, a Bíblia a divide em duas partes, a saber, salvos e perdidos, eleitos e réprobos, os que tem fé para salvação e os incrédulos, os que tem o Espírito Santo, e os que não têm, os pentecostais insistem em dividir os homens em três grupos, a saber, os não salvos, os crentes ainda não batizados com o Espírito Santo e os crentes mais fortes, revestidos de poder, isto é, os batizados com o Espírito Santo. Devo afirmar que a Escritura não apoia tal distinção. Atente às palavras de Jesus hoje: “quem crer”, ele disse. Quando você crê, o Espírito vem habitar em você, e basta. Muitos por não falarem em novas línguas são como que segregados em algumas igrejas. Vez ou outra referem-se a eles como se lhes faltasse algo, quando não lhes falta nada! Não se deixe levar por essa ilusão. As palavras de Jesus Cristo no último dia da festa garantem a você, meu irmão: se você crê, você possui o Espírito Santo habitando dentro de você. Dons são acréscimos, não para todos. Uns tem um dom, outros tem outro dom. Uns tem dons externalizáveis, outros não. Mas de todos, garanto-lhe, fluirão rios de água viva!

Outro aspecto que nos prova a presença do Espírito Santo em nós é sem dúvida o fruto que esta presença produz. Vejamos o que disse o Apóstolo Paulo a respeito deste assunto.

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Gálatas 5:22 (ACF)

Amado irmão, queres ter prova inconteste da ação do Espírito em sua vida? Pare agora e examina-te a ti mesmo. Busque em sua vida o menor resquício da presença destes frutos. Busque, não uma presença estática, mas algo dinâmico. Algo que vem se desenvolvendo. Avalie-se você mesmo a alguns meses atrás. Avalie o estado de sua alma durante este período. Houve crescimento?

Você ama mais? Sente uma necessidade de escolher fazer algo pelos perdidos e necessitados deste mundo? Ainda que neste amor haja apatia e falta de coragem para agir no começo, ou certa timidez. Este amor existe? Existe, ainda, um amor por Deus como não havia dantes? Você tem se inclinado e desejado conhecer mais a Deus, e à sua Palavra? Tem buscado relacionamento mais profundo com o Pai? Tem buscado estar mais longe do pecado, ainda que a presença dele o faça sentir-se longe de Deus muitas vezes, e te leva a pensar que não amas a Deus?

Você sente uma nova alegria dentro de você? Mesmo na tempestade da vida, quando por vezes seu barco aparenta estar indo a pique, quando você peca e passa pela sua mente “agora foi o fim, não há mais perdão para mim”, ainda assim há algo que te impele a buscar em Deus o perdão e, confiando na obra da Cruz, feita por Cristo, você enche-se de alegria por tê-lo recebido? Isso é para você a força motriz para continuar a dura caminhada?

Mesmo sabedor de que em ti não habita bem algum, você sente paz com Deus? Confia que Jesus Cristo lhe comprou esta paz com Seu sangue, ao suportar sobre Si a ira divina, ira que era destinada a nós? Esta paz que advém do perdão lhe impulsiona a ser alguém mais longânimo, ou seja, perdoador, alguém que preza pela paz e boa convivência, que suporta quieto os defeitos dos outros? Tens percebido um desejo de ser bom com o próximo? Teu coração dói mais quando sequer lhe passa pela cabeça a possibilidade de teres ferido alguém?

Cristo é sua Rocha? Você confia nEle de todo seu coração? Confia que não sendo você portador de bem algum, sua única esperança é depositar nEle toda a esperança? Esta é sua fé? Centrada em Cristo?
Tens percebido uma inclinação para mansidão no teu caráter? Você, ainda que no íntimo, odeia contendas, brigas, rixas e dissenções de qualquer tipo? Mesmo com suas falhas, percebe este comportamento em seu ser?

A temperança, e o desejo por ela tem se tornado realidade em sua vida? Tem buscado ser mais moderado em qualquer hábito? Tem lutado contra sua própria carne para vencer os desejos perversos, sensualidade, hábitos ruis, enfim, tudo o que é mau aos olhos do Senhor?

Se estes frutos estão persentes em tua vida, meu irmão, tome por certo que o Espírito está trabalhando em ti. Mas preciso te alertar. Talvez você veja um ou outro fruto com certa dificuldade. Talvez tenha ficado na dúvida ao responder sim. Mas saiba que a obra do Espirito é gradual. O homem santificado tem sim dificuldades de ver esta obra em si mesmo no início. Não se iluda de que por que você falha em um destes pontos você não tem o Espírito. Não! Posso te afirmar que feliz é aquele que sempre sabe que falha constantemente em todos estes pontos! A questão não é se você é completamente longânimo ou temperante, ou manso e fiel. Ninguém o será até sermos glorificados. A questão é: a falta disso dói em sua vida? Você luta para crescer em santidade? Percebe a ação do Espírito em frutificar estas virtudes em ti ainda que de forma tímida? Se a resposta a estas perguntas forem sim, então alegre-se em ver que o Espírito está trabalhando em você.
  1. Que espécie de obra ele opera em nós?
“então ele [Deus] nos salvou – não porque fôssemos suficientemente bons para sermos salvos, mas por causa da sua bondade e compaixão, pelo lavar regenerador e renovador dos nossos pecados por meio do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós com maravilhosa abundância – e tudo por causa daquilo que Jesus Cristo, nosso Salvador, fez, a fim de que ele nos pudesse declarar justos aos olhos de Deus – tudo por causa da sua grande graça, tornando-nos seus herdeiros. E agora podemos participar da esperança da vida eterna que ele nos dá.”
Tito 3:5-7 (Nova Bíblia Viva)

Lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Estas palavras resumem a resposta ao questionamento em questão: “Que espécie de obra o Espírito Santo opera em cada pequenino cristão?” Mais uma vez sendo representado figurativamente como água, nos é dito que o Espírito Santo nos lava. E esse lavar produz em nós dois resultados, a saber, a regeneração e renovação interior.

Antes de ser chamado eficazmente pelo Espírito Santo, o crente era alguém cego, miserável, caminhando sem aviso para um abismo sem fim, tendo vendada sua visão, para que não visse, e sua audição, para que não ouvisse. Morto em seus pecados, imerso em iniquidade. Abertamente em oposição a Deus e a Seu Cristo. Merecedor de justa condenação. Sem conhecimento de Deus ou vontade de segui-lo, sequer se dava conta de sua pecaminosidade.

Todo este terrível quadro é transformado por completo quando o Espírito Santo vem habitar nesta pessoa. De imediato, e sobrenaturalmente, este ser totalmente averso a Deus e amante de seus pecados, agora é regenerado. Esta palavra quer dizer “gerado novamente” ou “nascido de novo”. Agora, conforme a vontade de Deus, este homem nasce espiritualmente. Onde havia o silêncio de indiferença, pois não havia vida, agora há choro de arrependimento, pois não há mais morte, e sim vida, e vida em abundância. Uma dor imensa pelo seu pecado é gerada nele. A urgente necessidade de um Salvador fica para ele evidente. Não lhe resta opção nenhuma a não ser render-se aos pés de Cristo, depositar nEle suas esperanças de salvação, ter fé. De um ser avesso a Deus, opositor e em constante rebeldia a Ele, passamos a correr a Seus pés em busca de perdão e reconciliação, confiando não em nós, pois sabemos que bem nenhum habita em nosso ser, mas confiando sempre no Autor e Consumador da nossa fé, Cristo Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Sumo sacerdote eterno, tendo feito sacrifício suficiente para lançar longe nossos pecados. Isto é ser regenerado. É o começo da obra do Espírito Santo em nós.

A regeneração é a maior obra, ou milagre, que Deus, através do Espírito Santo, pode operar na vida de um ser humano. Nos foi dito, através da exposição da Palavra, que Deus nos dá esta benção graciosamente, sem haver nenhum merecimento ou obra de justiça que creditasse mérito em nosso favor. É o gatilho inicial da Salvação do homem. É quando Deus opera o “querer”. É também quando Ele “começa a boa obra”, ou ainda quando age como “Autor” da nossa fé. E, de tudo isso, podemos dizer que nossa Salvação será completada quando ele operar o “efetuar”, “terminar a boa obra” e tornar-se o “Consumador” da fé. Grande é esta esperança. Louvado seja Jesus Cristo por tão grande Salvação! (Filipenses 2:13, 1:6 e Hebreus 12:2).

Outrossim, também nos é dito que o Espírito Santo renova nosso ser. Após nos regenerar, e até que Cristo venha, o Espírito tem trabalhado em cada servo de Cristo. Diariamente, ele nos renova, isto é, nos capacita a obedecer a Lei de Deus. Hoje, neste exato momento, o Espírito Santo está trabalhando em cada cristão verdadeiro a fim de o santificar, a fim de fazer com que Cristo cresça em sua vida, e ele diminua. Diariamente somos levados ao arrependimento, cada dia mais profundo. Constantemente somos levados a buscar conformar nossos hábitos com Jesus, a andar como Ele andou. Sim, falhamos, mas o poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas!

Ah leitor, cuide para que seu coração não venha crer que algo seja maior do que este milagre, o renovo do Espírito. Curas, livramentos, ressurreição de mortos, dons, e tudo mais que Deus possa fazer e operar em meio a seu povo, tudo isso não se compara ao milagre diário que se dá em nós: a santificação de um pecador.

Busque esse milagre cada dia, não descanse enquanto ele não começar a ser visível, e continue a lutar até o dia de Cristo. Não se engane. Nós cooperamos com Deus em nossa santificação. Justificação é um ato de Deus, onde Ele nos declara justos por causa do que Cristo fez na Cruz. Santificação é um ato de Deus, evidente, porém, ele alegra-se que seus filhos esforcem-se para obtê-las. “Portanto, meus amados, como sempre tendes obedecido, não só na minha presença, mas também particularmente agora na minha ausência, operai a vossa salvação com temor e tremor, pois é Deus quem opera em vós o querer e o operar, segundo a sua vontade.” (Bíblia de Jerusalém – grifo meu). Não permita que a apatia tome conta de si, ou espere que seus pecados desapareçam espontaneamente. Atue com Deus em sua santificação.

Existem ainda dois elementos, dua graças, por assim dizer, que precisam ser postas em exercício em nossas vidas, e são resultado inerente do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo: arrependimento e fé.

Arrependimento é profunda tristeza e contrição de coração pela sua pecaminosidade e/ou pecado particular. O arrependimento deve nos tornar a Deus, humilhados, crendo que dEle, por Cristo, receberemos perdão. Precisamos crescer em arrependimento diariamente, estando cada vez mais cônscios de nossa pecaminosidade. Duvide de seu cristianismo o dia em que você não enxergar com facilidade a indignidade e podridão que é inata ao seu ser. Quanto mais perto estamos de Deus, e quanto mais o conhecemos, maior torna-se nosso arrependimento, ou seja, mais conscientes somos de quão merecedores da ira éramos, e de quão grande obra Cristo operou por nós.

Fé é a confiança em Cristo e em sua obra redentora. Deus, em sua graça, dotou seus eleitos com fé para a Salvação. A fé é uma graça que admite crescimento. Busque a cada dia crescer em fé, confiar e depender de Cristo cada vez mais, em cada aspecto, por menor que seja, do seu viver. Dependa de Cristo, confie em Cristo, entregue todas as suas fraquezas e dificuldades a Cristo, Não aja como incrédulos, confiando na força de seu braço. Não tente vencer o pecado sem Cristo. Não tente prosseguir em sua caminhada sem Cristo. Deixe Cristo ser tudo em sua vida.
  1. Como posso receber estes rios dentro de mim?
Esta é, para alguns, a parte mais importante de todo este texto. Talvez você tenha lido tudo até aqui de maneira passiva, sabendo de que nada disso é verdade em sua vida. “Coisa de crente”, você deve ter pensado. Entretanto, em meio a todas estas palavras sobre santificação, sobre a obra do Espírito, a esperança da Cruz, salvação e arrependimento, algo acendeu dentro de você.

Talvez, você começou a sentir a necessidade de perdão. Começou a avaliar seus hábitos e percebeu que eles não se encontravam em conformidade com os frutos do Espírito, mencionados acima no texto. Você começou a ter consciência de seus pecados, e também da falta que você tem. Você não tem estes rios fluindo dentro de você, concluiu. Se este é o seu caso, é a você que minha atenção e esforços se voltam neste momento. Não ache que foi em vão tudo o que leu ou sentiu até agora.

Quer saber como você faz para possuir o Espírito Santo em sua vida? Como fazer com que Ele faça morada em seu ser? Voltemos às palavras de Jesus na festa dos tabernáculos. Lembre-se, ele intencionava atingir pessoas como você, conscientes do deserto espiritual em que se encontram.

Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
João 7:37 (ARA)

Quem crer, Jesus disse. Essa é a única esperança de um pecador desesperado pelo seus pecados: crer em Jesus. Alguns afirmam que não conseguem crer. Pois eu afirmo que isto é loucura. A única coisa que alguém fatigado pelo cansaço consegue fazer é descansar! Assim mesmo, ó pecador, apenas creia e descanse em Cristo! Reconhece seu pecado? Confie na obra que Jesus realizou. Tenha em mente o que esta obra fez, de modo claro:

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. (...) Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si.
Isaías 53:5-6, 10-11 (ARA)

“as iniqüidades deles levará sobre si”. Nos é dito aqui com toda clareza o que Jesus Cristo realizou na Cruz: ele retirou a culpa dos nossos pecados. E como? Lá na Cruz, o próprio Pai o feriu, despejando nEle o cálice de Sua ira. Toda a ira de Deus pelos nossos pecados, que levaríamos a eternidade suportando, Cristo a levou ali, em apenas alguns momentos. Não é de se espantar que ele, no Getsêmani tenha exclamado “se possível afasta de mim este cálice”, pois sabia que suportaria uma ira de magnitude infinita. Desta forma, maravilhosamente, quem crê em Jesus está unido a Ele, e os seus pecados não são mais levados em conta. O perdão foi comprado na Cruz por você. Creia, somente, e comece a viver uma vida com Cristo, e, como disse Jesus no último dia da festa, do seu interior fluirão rios de água viva!  

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Eleição - Uma Perspectiva Bíblica

Sem dúvida ao ouvir esta palavra muitos tremem dos pés a cabeça. Uma maioria esmagadora dos crentes atuais tem verdadeiro repúdio a qualquer doutrina que cheire à predestinação ou pareça-se com eleição. Venho dizer a você, leitor, que há não muito tempo atrás eu ainda era um desses crentes. Quero, por meio deste artigo, mostrar-lhe, pela exposição das Escrituras, como Deus abriu meu entendimento a esta maravilhosa doutrina bíblica, histórica, reformada e evangélica.

Como declaração introdutória, preciso expor algo que me fez mudar de ideia quanto a este assunto: o princípio sola scriptura. Todos nós, protestantes, ou evangélicos, se assim desejar, professamos a fé baseada na Reforma Protestante do século XVI. Desta forma, tudo o que fazemos, toda profissão de fé que elaboramos, deve estar em conformidade com o resumo da fé reformada, a saber, os cinco solas. São estes:

1. Sola Gratia (salvação pela graça somente);
2. Sola Fide (salvação mediante a fé somente);
3. Solus Christus (somente Cristo como cerne da nossa fé);
4. Soli Deo Gloria (glória e honra a Deus somente), e por fim
5. Sola Scriptura (somente a Escritura como regra de fé e prática).

Somos pecadores, sim, falhos e totalmente dependentes da graça de Deus. E um erro muito comum em nosso meio é esquecermos do sola scriptura, ou seja, não pautarmos nossa vida perfeitamente pela Palavra. Todos falhamos em certo ponto, é fato, mas devemos estar sempre dispostos a negar qualquer dogma preestabelecido, ideia formada ou mesmo experiência, se esta não se conforma com a Escritura. Este deve ser nosso foco, sempre, até que Cristo venha.

Dito isto, no decorrer deste artigo mostraremos quão abundante e clara é a doutrina da Eleição nas Escrituras, e como negar isso é ir em oposição direta à mesma. Antes, porém, vou contar-lhes como Deus me direcionou a crer nesta Verdade.

Como cristão de confissão arminiana que era, eu não conseguia chegar perto de textos bíblicos que confrontavam minhas teses preestabelecidas. Textos como Romanos 8:29-30 e Atos 13:48 me davam arrepios. Deixava-os para lá, não havendo explicação plausível. Vamos expôr estes textos. Abra sua bíblia e deixe Deus falar através dela.

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. Romanos 8:29-30 (ARA)

Porque aqueles que já tinham sido escolhidos por Deus ele também separou a fim de se tornarem parecidos com o seu Filho. Ele fez isso para que o Filho fosse o primeiro entre muitos irmãos. Assim Deus chamou os que havia separado. Não somente os chamou, mas também os aceitou; e não somente os aceitou, mas também repartiu a sua glória com eles. Romanos 8:29-30 (NTLH) 

Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. Atos 13:48 (ARA) 

Quando os não-judeus ouviram isso, ficaram muito alegres e começaram a dizer que a palavra do Senhor era boa. E creram todos os que tinham sido escolhidos para ter a vida eterna. Atos 13:48 (NTLH) 

Avalie como se sente agora. Confrontado? Talvez. Mas, embora você possa não entender, você deve concordar que o texto é inegavelmente claro, não? Juntos, estes dois textos definem a bíblica e reformada doutrina da Eleição, a saber, “que Deus escolheu em Seu conselho eterno desde antes da fundação do mundo aqueles dentre a raça humana caída que seriam salvos. Ninguém crerá e será salvo se não for eleito. Ninguém que for eleito perderá a vida eterna. A fé é a consequência da eleição, não sua causa.” Pois bem, prossigamos. A ideia ainda precisa ser desenvolvida, confesso. As implicações disso são demasiadamente abrangentes.

Voltando ao que dizia a respeito da minha mudança. Eu era alguém que cria em todos os pontos do sistema arminiano, em oposição aos do calvinismo. Não é possível, a meu ver, crer em alguns e não crer em outros. Se você crer num dos cinco pontos do arminianismo você será levado a crer nos outros quatro, se for hermeneuticamente sincero e correto. O mesmo se dá com os cinco pontos do calvinismo. Minha mudança (não direi conversão pois isso está além desta esfera de discussões; tanto quem crê como quem não crê na Eleição está salvo) começou quando comecei a ponderar mais escrituristicamente a respeito da doutrina da Perseverança dos Santos, o quinto ponto do calvinismo. Fui sempre instruído e ensinado que alguém poderia perder a salvação. Novamente, sempre olhava textos das Escrituras que defendessem essa ideia. Porém, algo passou a me incomodar. E este algo foi João 10:27-29

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. João 10:27-29 (ACF) 

A declaração de Cristo é clara e inegociavelmente depõe a favor da doutrina da Perseverança dos Santos, isto é, aqueles que Deus chamou e salvou, jamais cairão, nem total nem finalmente, do seu estado de graça. Num reducionismo perigoso, alguns a proclamam dizendo que “uma vez salvo, salvo para sempre”.

Pois bem, depois de alguns dias de relutância, aceitei esta verdade, crendo que meu coração se aquietaria, pois estava sendo “sola scriptura”. Mas foi aí que tudo se desencadeou. Como arminiano, cria no livre-arbítrio, isto é, na doutrina de que, embora houvesse em mim pecado, eu era livre para escolher entre o bem e o mal, isto é, escolher por Deus ou pelo pecado. Muito bem; se isso é Verdade, então eu posso resistir a graça de Deus ou abraçá-la, mais especificamente falando, posso aceitar ou recusar a salvação. Mas, se depois de aceitar eu não posso sair, onde está o livre-arbítrio??? Complicado, não? Pois bem, vamos ver o que dizem as Escrituras a respeito do livre-arbítrio. Vamos a Romanos 3:

Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.(...) Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Romanos 3:10-12;23-24 (ACF) 

Como afirmam as Escrituras: “Ninguém é justo, nenhum sequer. “Ninguém jamais seguiu realmente a veredas de Deus, nem mesmo desejou verdadeiramente fazê-lo. “Todos se desviaram; todos caíram no erro. “Não há ninguém que faça o bem, nem um sequer. (…) Pois todos pecaram; todos fracassaram, e estão afastados da glória de Deus; no entanto, Deus nos declara agora justificados das ofensas que lhe fizemos, através da redenção que há em Jesus Cristo, aquele que em sua graça tira os nossos pecados gratuitamente. Romanos 3:10-12;23-24 (Nova Bíblia Viva)

Mais um choque de realidade. A Bíblia nos informa que, se deixados a nossa sorte, sequer teríamos vontade de buscar a Deus! Cai por terra, então, a farsa do livre-arbítrio. O que temos, como seres responsáveis moralmente, é a livre agência, isto é, agimos livremente, mas conformados a nossa natureza pecaminosa. Ou seja, quanto a Deus, jamais escolheríamos o que é bom!

Recapitulando, fui forçado a aceitar a Perseverança dos Santos. Agora, percebi que não havia livre-arbítrio, afirmando assim a Depravação Total, isto é, que a queda do homem atingiu a totalidade de sua existência (depravação total não refere-se à intensidade, ou seja, não quer dizer que todo homem é tão mal quanto poderia ser). Mas, se você parar para pensar, isso inegavelmente nos força a aceitar que não podemos resistir ao chamado de Deus e que, se somos salvos, foi porque Deus assim o determinou. Completam-se quatro pontos:
Total Depravação
Perseverança dos Santos
Graça Irresistível (ou Chamado Eficaz) e, por fim, o assunto em questão,
Eleição Incondicional

Falta ainda o terceiro ponto, a Expiação Particular, ou seja, a doutrina de que Cristo foi enviado para sofrer a ira de Deus pelos pecados dos eleitos, apenas, e não de toda a humanidade. Mas isso será tratado talvez em outro artigo. Por hora, basta apenas afirmar que aceito esta verdade como bíblica (ver João 10:15).

Este, meus amados, foi o caminho que eu trilhei nos passos da escola da Eleição. De fato, já posso escrever sobre ela pois a conhecia dantes, porém não aceitava. De agora em diante, exporemos aqui a Bíblia de um modo simples e claro, e deixemos as Escrituras falarem por si só. Como todo cristão honesto, ao sermos questionados sobre alguma doutrina ou ensino devemos sempre, em primeiro lugar, perguntar “a Bíblia aprova esta doutrina?” “Ela corrobora com isso?” Ninguém pode, mediante séria análise da Palavra, afirmar que a Bíblia não fala de Eleição/Predestinação. Vamos aos fatos.

Paulo, o Apóstolo, declara “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)” (Romanos 9:11 – ACF). “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça.” (Romanos 11:5 – ACF), e continua “mas os eleitos o alcançaram ” (Romanos 11:7 – ACF). Paulo ainda diz “mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais” (Romanos 11:28 – ACF) , “Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus” (1 Tessalonicenses 1:4 – ACF).

Pedro, apóstolo de Cristo, também ensinou dizendo “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição” (2 Pedro 1:10 – ACF). E mais ainda disse “Deus, o Pai, escolheu vocês há muito tempo e, por isso, sabia que se tornariam seus filhos” ou, em outros palavras, “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai” (1 Pedro 1:2 – Nova Bíblia Viva e ACF). Outra vez, Paulo torna a dizer “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:5 – ACF) e “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11 – ACF). Em outra linguagem, “Nele, nós fomos escolhidos e predestinados como parte do plano soberano de Deus, que faz tudo conforme a sua vontade” (Efésios 1:11 – Nova Bíblia Viva).

Jesus disse “mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24:22 – ACF). E ainda afirmou “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem” (João 10:26-27 – ACF).

Paulo, Pedro e Jesus. A Bíblia, enfim, afirma em alto e bom som a maravilhosa doutrina da Eleição!

Revisado e editado em 06 de Agosto de 2012.