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domingo, 2 de junho de 2013

A Culpa é Nossa

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
Mateus 5:13-16

               Chegamos a um tempo na nação brasileira onde a Igreja deve parar e refletir, olhando para seus atos presentes, olhando para o passado e para as Escrituras. O Brasil tem detenhorado cada dia mais. Violência, corrupção e injustiça são agora praticadas em plena luz. Imoralidade e abominações tornara-se normais e estimuláveis. Não há apreço pela vida humana em nossos governantes, e tampouco em nosso povo. A Igreja, embora tenha crescido numericamente, é motivo de chacota e vergonha. É insossa. Não consegue, embora com tantos membros, produzir uma mudança sequer na sociedade. Estamos sendo literalmente pisados pelos homens, e homens ímpios e imorais.

               Quero que notemos hoje a estrutura do texto que Jesus proferiu no sermão do monte. Ali lemos “e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” Note que o fato de o sal ter sido desprezado e lançado fora e pisado pelos homens é consequência do fato de que este sal foi insípido. Segue-se, portanto, que precisamos olhar no passado as causas da nossa derrota hoje.

               É de suma importância entendermos o papel que Deus destinou à Sua Igreja durante os últimos dias, isto é, durante o tempo que se seguiria desde a vinda de Jesus até seu Retorno em glória. Jesus disse no sermão da montanha que a Igreja é a “luz do mundo”. Em seguida, o Senhor a compara a uma cidade edificada sobre um monte, a qual é visível a todos, e a uma candeia acesa, que traz luz para todos os que estão na casa. O propósito de tais descrições é explicar o caráter transformador que a Igreja de Cristo deve exercer na sociedade ao ser redor. A linguagem de Jesus indica uma plenitude de influência, isto é, influência em todas as áreas. Veja, por exemplo, que a candeia não ilumina apenas um canto da casa, antes, por estar posta no topo, esta tem o poder de iluminar toda a casa. A casa e os que nela estão são o mundo e suas nações.

               A Igreja Cristã historicamente tem entendido seu papel de transformação da sociedade. Ao invés de demonizar a cultura, as artes, a política e os negócios é dever da Igreja afastar a influência do pecado nestas áreas, redimindo-as e subjugando-as ao padrão eterno de ética e santidade, que é o próprio Deus. E, evidentemente, conhecemos este padrão pela Sua Lei expressa de forma perfeita nas Escrituras.

               Um grande exemplo deste pensamento já encontramos cedo na história, ainda na antiguidade, quando a Igreja era perseguida e esmagada pelos Césares de Roma. Tamanho era o orgulho de tais imperadores que a si mesmos se declaravam Deus e exigiam adoração de seus súditos. Evidentemente, o ódio aos cristãos da época era explicado pelo fato de que eles se negavam a adorar César como Deus. Mesmo em face da morte, não amaram a própria vida. Mesmo em face do questionamento final “quem é teu senhor?” de um soldado pronto a usar sua espada, o cristão da época respondia “Jesus Cristo é o Senhor”. A força destas palavras é sobremodo reveladora. Pois sabemos que Jesus havia dito, pouco antes de ascender aos céus, que todo o poder havia sido dado a Ele no céu e na terra (Mateus 28:18). Paulo ainda ensinou que convém que Cristo reine dos céus até ter todos os inimigos postos debaixo de seus pés, aniquilando toda força contrária ao Seu governo. Por isso mesmo lê-se “Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.” (1 Coríntios 15:24-25). A cosmovisão cristã de Paulo era, então, a seguinte: Cristo já Reina em poder e autoridade absolutas e só retornará a este mundo depois que toda autoridade contrária a Ele for conquistada e vencida. E temos visto no decorrer do tempo muitos inimigos de Cristo se levantarem e serem abatidos. Sem dúvida Roma era um deles. O Concílio de Nicéia foi o evento mais importante da antiguidade. O que aconteceu ali foi uma humilhação do poder Romano e dos Césares. A Roma invencível militarmente e que mantinha seu poder sobre o mundo governando com mãos de ferro agora foi vencida, não por um exército de outra nação, mas pelo Deus vivo e verdadeiro, o qual entregou à Sua Igreja os inimigos que a resistiam.

               O que nós crentes devemos entender é que existem apenas duas civilizações no mundo: a 
civilização de Deus, formada pelo seu povo remido, santo e vitorioso tendo como Cristo o seu Rei e a civilização dos homens, cujo Rei é Satanás. Somente uma vencerá no fim da história. E tal não é a civilização de Satanás. Qual é, pois, o papel da Igreja onde ela é inserida? O papel da Igreja é salgar o mundo com sua doutrina, ensinar as nações através de sua luz e ser um refúgio sólido no alto de uma montanha onde tais nações encontrem justiça e salvação. Isto quer dizer que a Grande Comissão entregue a nós por Cristo deve ser vista como uma ordem se subjugar às nações ao domínio do Senhor. Para tanto, devemos fazer como fizeram nossos pais, desafiando os ídolos de seu tempo em todas as áreas da vida humana, seja na política, nos negócios, nas artes, educação, enfim, em tudo. Devemos ser ativos culturalmente, não passivos ou isolacionistas.

               Tendo estabelecido esta base, olhemos agora para o que foi a Igreja brasileira desde que aqui chegou. Durante muito tempo tivemos uma igreja santa, comprometida com a salvação de pecadores sim, entretanto, uma igreja inerte culturalmente e isolada. Por muito vivemos num mundo à parte, sempre demonizando coisas ao nosso redor que deveríamos estar dominando. Por muito temos vimos crentes no Brasil demonizarem a mídia e a tencnologia de modo que por vezes tais afirmações seriam cômicas se não fossem trágicas. Como resultado, nunca fizemos nada para também redimir este tipo de atividade humana. Estávamos ocupados demais apenas com a salvação dos homens e nos esquecemos que deveríamos glorificar a Deus em primeiro lugar. E glorificá-lo inclui agirmos como embaixadores do Reino de Cristo, não descansando enquanto houver lugares onde ele não tenha domínio e senhorio. Se ele não tinha na televisão, que trabalhássemos para que tivesse. Se ele não tinha na política, que o fizéssemos ter. Se ele não tinha na academia e ciências, que nós crentes tomássemos este espaço também. O que fazíamos, entretanto, era até mesmo olhar com maus olhos o estudo e a ciência.

               Como vimos, nós fomos insípidos por décadas. Sem gosto, inertes. Somos culpados disso perante o Senhor. Satanás usou os seus para destruir nosso país  e nós permitimos. Como resultado, até mesmo nossa pureza interna foi destruída e tomada. Julgamento de Deus contra nós, sem dúvida. Hoje temos uma igreja brulhenta,  imoral, sem doutrina, apóstata e amante do mundo. Nosso ativismo hoje é extremamente ineficaz. Os líderes levam o povo para uma festa carnal onde crentes fazem barulho, pulam, cantam, gritam e adoram seus ídolos da Central do Brasil até a Cinelândia ou na Avenida Paulista. Nós achamos mesmo que isso fará a diferença? Tolos somos. Queremos conquistar com a força de nosso braço. Esquecemos que é Deus quem nos dará a vitória.

               A resposta correta Deus nos diz e, contudo, não queremos ouvir. E ei-la no livro de Crônicas, onde lemos “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7:14) Por que não, como escreveu Ciro Zibordi por estes dias, fazermos uma marcha onde choremos e lementemos pelo mar de iniquidade em que nosso país se encontra? Por que não reconhecermos que se o Brasil está assim é porque nunca fomos o que deveríamos ser? Devemos nos arrepender, ó Igreja brasileira, e chorar diante de Deus pelos nossos pecados. Regeneração e arrependimento devem haver no meio do povo. E mudança de cosmovisão também. E precisamos disso rápido, ou um dia será tarde demais.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Moralidade Legislada


Tornou-se comum hoje em dia, sob o pretexto de defender o santíssimo “Estado laico”, o falar-se em moralidada legislada, ou, mais especificamente, que as leis não devem repercutir uma moralidade preestabelecida. Por “moralidade preestabelecida” leia-se moral cristã. Desejo mostrar aos leitores hoje a insanidade deste argumento e, também, demonstrar como não podemos abandonar a moral cristã como base da nossa sociedade, outrossim nossa sociedade se destruiria.

Tratemos primeiro do argumento contra a “moralidade legislada”. O movimento agnóstico anticristão da atualidade (e por que não ler ateísta) deseja remover a qualquer custo todo rastro de cristianismo da nossa sociedade.  Basta um olhar atento aos fatos e esta verdade fica evidente. Para tanto, recusam-se a aceitar que estabelecimentos morais e históricos, de origem majoritariamente cristã, continuem a existir. Daí, tentam legalizar aborto, casamento homossexual e tantas outras coisas mais. Tudo isso ao preço da repressão ao cristianismo. E o argumento: casamento restringido a homem e mulher é “moralidade legislada”.

A insanidade deste argumento deveria ser evidente a qualquer ser pensante que se dispõe a analisá-lo. Não o é, para nossa desgraça, pois na atualidade pensar por si próprio tornou-se coisa rara. Precisamos entender que o princípio inerente à legislação implica necessariamente que toda lei é uma moralidade legislada. Tome como exemplo o seguinte caso: um ladrão entra em uma casa, mata a sangue-frio uma família e leva todo o dinheiro do cofre consigo. Este ladrão deve ser punido? “Evidentemente que sim”, qualquer um responderia. Eis, entretanto, a questão: por quê? “Porque matar e roubar são contra a lei”, alguém responderia corretamente. O que muitos não se dão conta, entretanto, é que matar e roubar são ilegais pois existe um fundamento moral preestabelecido que diz que assassinar um semelhante e tomar algo que não lhe pertence são atitudes moralmente erradas. Cabe, portanto, ao Estado fazer valer esta moralidade, punindo a todos que a desobedecem. Simples assim. Negue que as leis são moralidades legisladas e seja honesto suficiente para requerer a anulação do código penal brasileiro!

Aqueles ativistas que usam deste argumento, então, quando querem derrubar instituições milenares, como o casamento, estão derrubando a moral que sustenta toda nossa lei, que, quer queiram quer não, é a moral cristã. Os que querem “criar novas leis”, portanto, estão automaticamente decretanto, não que as leis não provém de moralidade, mas que a substituição da moral cristã por outra, inventada por eles próprios. E por que devemos temer isso? Simples, pois esta outra moralidade não conhece limites de respeito à vida e à santidade do casamento, por exemplo. O mesmo movimento que tenta hoje legalizar casamento e “direitos” gays em muitos casos já fala abertamente sobre descriminalização da pedofilia. O mesmo movimento que quer legalizar aborto já fala, por conclusão inerente à sua lógica, no direito da mãe matar seu filho recém-nascido. Estes são apenas dois pequenos exemplos de toda uma gama de consequências que virão caso a moral e ética estabelecidas por Deus sejam esquecidas.

Historicamente, moralidade elevada tem a ver com a prosperidade de uma nação. Magistrados romanos sabiam disso e alguns tentaram, sem sucesso, evitar a derrocada moral de Roma. Sodoma e Gomorra sucumbiram nas mãos do justo juízo divino por sua imoralidade. E por que não citar o mundo inteiro perecido no dilúvio? A Europa cristã prosperou grandemente. Hoje tem sido entregue à dominação de inimigos milenares: os islâmicos. E não, não por meios militares. Não haverá uma gota de sangue derramada. Gradativamente o islamismo tem estendido seus tentáculos e dominação cultural. E isto pode se agravar com a doutrina de controle de natalidade amplamente divulgada entre os europeus. O século XXI testemunhará mudanças históricas enormes no continente europeu. E por quê? Pois se esqueceram de Deus e de sua Lei. Andaram em seus próprios caminhos. Tentam por si próprios dizer o que é certo e o que é errado. Temo por isso. E espero que isso não aconteça com a nossa nação.

Insto que você, leitor, deixe a apatia intelectual e busque conhecimento. Aprenda a pensar por si mesmo, e não apenas pelo que a grande mídia dita diariamente a você. Isto é hoje uma questão vital de sobrevivência em um mundo que gradativamente está sendo tragado pela ignorância e manipulação de “elites” intelectuais cujo propósito é um só: substituir a ordem vigente por uma outra em busca de um fim glorioso, porém inalcançável. E inalcançável simplesmente porque é antiético. Matar uma vida inocente é antiético. Casamento é definido pela união de amor entre um homem e uma mulher visando a multiplicação do ser humano. Pedofilia é abominável, e infanticídio mais ainda. Simples assim.