As pessoas acham que podem ler a Bíblia sem o
menor auxílio teológico. Chamam a teologia de dispensável, vaidade,
enfim, um número incontável de termos injustos e equivocados. Isso seria
afirmar que podemos ler o documento que descreve o projeto de um
automóvel sem qualquer auxílio dos conhecimentos de Engenharia, Física,
Mecânica e outras ciências. São aversos a qualquer tipo
de polêmica, contestação ou discussão teológica. Também não lembram que
se hoje temos uma sistematização consistente da doutrina da Santíssima
Trindade, isso foi somente pois a Igreja debateu, discutiu, e teorizou
sobre isso por 400 longos anos![1]
Entendam que a teologia é um auxílio indispensável para quem quer se aprofundar no texto sagrado, ou mesmo para o crente comum. "Mas o crente comum não vai para o seminário, afirmariam alguns". É bem verdade que não, por isso o ensino e tutela da Igreja Local são importantes, e ainda mais o é a apresentação de regras básicas de interpretação de texto. Isso, se feito diligentemente, ainda torna as pessoas mais cultas e aptas a dominar não só o texto sagrado, mas qualquer outra literatura com o tempo.
Ocorre é que vivemos numa época de muita violência aos textos sagrados. Pessoas sobem ao púlpito dizendo que "Deus lhes revelou uma nova visão sobre o texto 'x'". E assim, apresentam sua interpretação, desprovida de qualquer lógica, ou sequer sem uma mínima análise histórica. Perguntam-se, acaso "alguém leu este texto assim nos dois mil anos de história cristã atrás de mim"? Não, não perguntam. Por isso o distanciamento da Igreja Evangélica hoje da Reforma Protestante. Como afirmo a alguns amigos não-evangélicos, afirmarei aqui: o que se chama "evangélico" hoje, dificilmente pode se considerar relacionado logica e consistentemente com o que pensavam Calvino, Lutero e tantos outros santos de Deus do passado.
Afirmo, sem titubear, que não precisamos conhecer a Escrituras hoje. Muitos são os crentes que lêem e relêem o texto sagrados de capa à capa. O que precisamos é reaprender do ZERO à interpretá-lo. Ler as Escrituras não é abrir aleatoriamente num texto e achar que DeUs está falando com você e aplicar de uma maneira totalmente errada e enganosa o referido texto. Não! Isto não é Ler as Escrituras, isto é vidência, prática condenável por elas.
Voltemos às Escrituras. Reaprendamos a interpretá-las. Leiamos sim, textos de outros homens de Deus. Não como tendo a mesma autoridade, mas como muletas, auxílios que apontam o certo caminho.
Paz!
____________________________________________________
[1] A Santíssima Trindade foi formalmente definida pela Igreja em seu concílio ecumênico de Nicéia, no qual a Igreja opôs-se à heresia ariana sobre a divindade de Cristo. Deste concílio, surge um dos documentos mais importantes para a Igreja hoje, o Credo Niceno:
"Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, o Criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Unigênito de Deus o Pai, o Unigênito, que é da essência do Pai. Deus de Deus, Luz de Deus, Luz verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não feito; da natureza mesma do Pai, por quem todas as coisas vieram a existir, no céu e na terra, visíveis e invisíveis. Quem de nós a humanidade e para nossa salvação desceu dos céus, se encarnou, foi feito humano, nasceu perfeitamente da Virgem Maria pelo Espírito Santo.
Por quem Ele tomou corpo, alma e mente, e tudo o que está no homem, verdadeiramente e não na aparência. Ele sofreu, foi crucificado, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu com o mesmo corpo, [e] se sentou à direita do Pai. Ele está para vir com o mesmo corpo e com a glória do Pai, para julgar os vivos e os mortos; do Seu reino não tem fim. Acreditamos no Espírito Santo, no incriado e perfeito, que falou através da Lei, os profetas, e os Evangelhos; que desceu sobre a Jordânia, pregado pelos apóstolos, e viveu nos santos. Acreditamos também em apenas um, Universal, Apostólica, e [Santo] Igreja e, em um batismo de arrependimento, para remissão e perdão dos pecados e na ressurreição dos mortos, no julgamento eterno das almas e corpos, e o Reino dos Céus e na vida eterna."
Entendam que a teologia é um auxílio indispensável para quem quer se aprofundar no texto sagrado, ou mesmo para o crente comum. "Mas o crente comum não vai para o seminário, afirmariam alguns". É bem verdade que não, por isso o ensino e tutela da Igreja Local são importantes, e ainda mais o é a apresentação de regras básicas de interpretação de texto. Isso, se feito diligentemente, ainda torna as pessoas mais cultas e aptas a dominar não só o texto sagrado, mas qualquer outra literatura com o tempo.
Ocorre é que vivemos numa época de muita violência aos textos sagrados. Pessoas sobem ao púlpito dizendo que "Deus lhes revelou uma nova visão sobre o texto 'x'". E assim, apresentam sua interpretação, desprovida de qualquer lógica, ou sequer sem uma mínima análise histórica. Perguntam-se, acaso "alguém leu este texto assim nos dois mil anos de história cristã atrás de mim"? Não, não perguntam. Por isso o distanciamento da Igreja Evangélica hoje da Reforma Protestante. Como afirmo a alguns amigos não-evangélicos, afirmarei aqui: o que se chama "evangélico" hoje, dificilmente pode se considerar relacionado logica e consistentemente com o que pensavam Calvino, Lutero e tantos outros santos de Deus do passado.
Afirmo, sem titubear, que não precisamos conhecer a Escrituras hoje. Muitos são os crentes que lêem e relêem o texto sagrados de capa à capa. O que precisamos é reaprender do ZERO à interpretá-lo. Ler as Escrituras não é abrir aleatoriamente num texto e achar que DeUs está falando com você e aplicar de uma maneira totalmente errada e enganosa o referido texto. Não! Isto não é Ler as Escrituras, isto é vidência, prática condenável por elas.
Voltemos às Escrituras. Reaprendamos a interpretá-las. Leiamos sim, textos de outros homens de Deus. Não como tendo a mesma autoridade, mas como muletas, auxílios que apontam o certo caminho.
Paz!
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[1] A Santíssima Trindade foi formalmente definida pela Igreja em seu concílio ecumênico de Nicéia, no qual a Igreja opôs-se à heresia ariana sobre a divindade de Cristo. Deste concílio, surge um dos documentos mais importantes para a Igreja hoje, o Credo Niceno:
"Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, o Criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Unigênito de Deus o Pai, o Unigênito, que é da essência do Pai. Deus de Deus, Luz de Deus, Luz verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não feito; da natureza mesma do Pai, por quem todas as coisas vieram a existir, no céu e na terra, visíveis e invisíveis. Quem de nós a humanidade e para nossa salvação desceu dos céus, se encarnou, foi feito humano, nasceu perfeitamente da Virgem Maria pelo Espírito Santo.
Por quem Ele tomou corpo, alma e mente, e tudo o que está no homem, verdadeiramente e não na aparência. Ele sofreu, foi crucificado, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu com o mesmo corpo, [e] se sentou à direita do Pai. Ele está para vir com o mesmo corpo e com a glória do Pai, para julgar os vivos e os mortos; do Seu reino não tem fim. Acreditamos no Espírito Santo, no incriado e perfeito, que falou através da Lei, os profetas, e os Evangelhos; que desceu sobre a Jordânia, pregado pelos apóstolos, e viveu nos santos. Acreditamos também em apenas um, Universal, Apostólica, e [Santo] Igreja e, em um batismo de arrependimento, para remissão e perdão dos pecados e na ressurreição dos mortos, no julgamento eterno das almas e corpos, e o Reino dos Céus e na vida eterna."